quarta-feira, outubro 25, 2006

"Não sei ser"

O céu de Outono desmaia-se num azul claro sobre as nuvens. Ping, ping, ping… A chuva começa a cair. Pingas molhadas. Inicia-se mais uma viagem do ressurgimento. Toc, toc, toc… Do outro lado da parede, o martelo violenta a carne morta com pancadas secas. Quero ser prosa, mas só sei ser poesia! Quero arame farpado de palavras, mas sou somente arame fino, frágil! “Não sei ser.”
Será que os pássaros voam por voar, como as martas fodem por foder? Ou voam por prazer? Sim, sim a planarem lá no cimo de um lado para o outro, como que a deixarem-se cair no ar, parecem atordoados com os voos. Como se o fizessem pela sensação! Sim, pois, pode ser. Lembro-me agora que até as plantas têm sensações.
Choro e olho tudo com os olhos molhados. Tudo fica turvo como a dor que sinto. Olho a roupa toda no armário e quero partir. Para onde? Não sei! Mas quero partir para não mais voltar. O peso da vida angustia-me, e o teu não sentir como eu te sinto, mata-me aos poucos. Não posso ser só isto. Não posso mais. E desmaiar com vontade de viver e saudades de morrer…

1 Comments:

Blogger Mushi said...

*.*

Vamos animar, linda!
Já escurece às 5 da tarde...

25.10.06  

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